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Caio Botelho: Manuela e uma nova perspectiva para o Brasil

O Partido Comunista do Brasil (PCdoB) decidiu apresentar a pré-candidatura de Manuela D´Ávila à presidência da República, notícia a ser comemorada pelos setores progressistas.

Jovem de 36 anos e formada em jornalismo, Manuela iniciou sua trajetória no movimento estudantil, foi vereadora em Porto Alegre (RS), deputada federal e estadual – em todas as oportunidades, com votações espetaculares. É a prova de que a renovação na política não deve ser feita “por fora”, por pretensos outsiders que vestem a roupagem de “gestores” para enganar parcela do eleitorado, ou de que a juventude só é alçada a cargos eletivos quando os recebe por herança familiar. Pelo contrário: os mandatos de Manuela foram resultado não do seu sobrenome, mas da luta que ela e o PCdoB construíram ao longo desses anos.

A legitimidade é inquestionável: a pré-candidatura dos comunistas é amparada por uma heroica trajetória, quase centenária, a maior parte vivida sob a mais dura clandestinidade imposta pelos regimes de exceção (que, no Brasil, foram a regra). A última vez que o Partido Comunista teve candidato a presidente foi em 1945 quando, com Yedo Fiúza, alcançou quase 10% dos votos – uma marca histórica para uma legenda que havia saído da clandestinidade poucos meses antes (e para ela retornou logo em seguida).

Mas a candidatura tampouco é resultado apenas do desejo legítimo de um qualificado Partido apresentar-se ao povo. É uma necessidade histórica e uma exigência da luta política nos dias atuais. Não nasce para dividir o campo progressista – justa preocupação de alguns – e menos ainda para rivalizar com outras candidaturas desse campo já postas. A solidariedade com o ex-presidente Lula contra as perseguições que sofre, por exemplo, se mantém intocável, assim como a defesa de seu direito em ser candidato nas próximas eleições. Afinal, os adversários a serem derrotados são os traidores entreguistas e sua camarilha, que hoje governam o país.

Manuela será a porta voz de um novo projeto para o Brasil, centrado na necessidade de resgatar a democracia, recuperar os direitos subtraídos por esse governo ilegítimo e retomar o desenvolvimento. Tem condições de aglutinar amplos setores da sociedade – especialmente aqueles hoje desencantados – em torno de uma agenda propositiva e, por consequência, ser um importante instrumento de reorganização da resistência popular.

Em tempos duros como o que vivemos, é sempre bom ter motivos pra ter esperança.

Ganhamos um.

 

Caio Botelho é membro do Comitê Estadual do PCdoB/BA.