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José Carlos Ruy: Karl Marx, na Folha, dois anos depois

O noticiário destes dias de “recesso” quase geral pode trazer algumas boas surpresas. Uma delas pode ser vista hoje, no diário paulistano Folha de S. Paulo, cujo caderno Ilustrada trouxe, na capa, uma boa, e informativa, resenha de autoria de Marcelo Coelho sobre dois livros que tratam de Karl Marx.

Com a particularidade de que foram lançados em 2013: Marx, Manual de Instruções, de Daniel Bensaïd, lançado pela Boitempo, e Amor e Capital – A Saga Familiar de Karl Marx e o Nascimento de Uma Revolução, de Mary Gabriel, publicado pela Zahar. A manchete da Ilustrada foi Dois livros iluminam a obra e os afetos de Karl Marx.

O livro de Bensaïd (1946-2010) é uma bem humorada e rigorosa introdução ao pensamento de Karl Marx. Ricamente ilustrado por Stéphane “Charb” Charbonnier – o diretor do semanário Charlie Hebdo assassinado no atentado terrorista de janeiro de 2015.

É uma introdução voltada para o público jovem, mas que será lida com proveito também por especialistas na obra do fundador do materialismo moderno. E que mostra como o marxismo continua sendo um pensamento alinhado com os problemas de nosso tempo.

Outro francês, Jean-Paul Sartre, havia escrito, em 1957, que o marxismo permanece a filosofia de nosso tempo: “é insuperável, pois as circunstâncias que o engendraram não foram ainda superadas”. Com Marx, Manual de Instruções, Bensaïd reafirma essa ideia.

Em Amor e capital a jornalista e escritora norte-americana Mary Gabriel junta-se a esta reafirmação da atualidade desse pensamento revolucionário. Apresenta, com rigor, o as ideias de Karl Marx e de seu companheiro Friedrich Engels, contextualiza seu desenvolvimento na conturbada Europa desde meados do século 19, e os mostra como observadores atentos e lutadores decididos das lutas operárias de seu tempo.

Mas o foco principal de Mary Gabriel são as relações familiares, e afetivas, do fundador do materialismo moderno. Jenny Marx – cujo nome de solteira trazia um aristocrático von Westphalen – surge como a grande companheira de Marx, participando de seus enfrentamentos teóricos, enfrentando a pobreza imensa que viveram, e também as contradições familiares – seu irmão, por exemplo, era ministro da Justiça do reacionário Frederico Guilherme 4º, que foi rei da Prússia entre 1840 e 1861.

A leitura da obra de Karl Marx é uma aventura teórica, tanto para aqueles que concordam com suas ideias como para seus adversários. É uma aventura teórica necessária para aqueles que pretendem entender as contradições de nosso tempo. Pior para os adversários das ideias de Marx, pois elas não amparam nenhuma tentativa de “salvar o sistema”. Aliás, o que emerge de sua obra é a demonstração da necessidade inexorável da ultrapassagem do capitalismo e suas mazelas.

Curioso, mesmo, é ler na Folha de S. Paulo uma resenha fora do tempo (dois anos depois de sua publicação), de dois livros que tratam de sua obra.

(Agradeço a Urariano Mota pela indicação desta resenha).

José Carlos Ruy é jornalista e escritor

Fonte: Portal Vermelho

 

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