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Manifesto da UBM pelo 25 de Julho Dia Internacional da Mulher Negra Latino-americana e Caribenha

UBM divulga manifesto por ocasião do 25 de Julho Dia Internacional da Mulher Negra Latino-americana e Caribenha conclamando à construção da Marcha Nacional das Mulheres Negras 2015, em Brasília em 18 de novembro deste ano. Confira o manifesto.

Manifesto da UBM pelo 25 de Julho  Dia Internacional da Mulher Negra Latino-americana e Caribenha

O Dia da Mulher Negra Latino-americana e Caribenha foi criado em 25 de julho de 1992, durante o 1º encontro de mulheres organizadas, em Santo Domingos, República Dominicana. Determinou-se que este dia seria o marco internacional da luta e da resistência da mulher negra. Desde então, sociedade civil e governo têm atuado para consolidar e dar visibilidade a esta data, tendo em conta a condição de opressão de gênero e racial/étnica em que vivem estas mulheres.

O objetivo da comemoração é ampliar e fortalecer as organizações de mulheres negras, construir estratégias para a inserção de temáticas voltadas para o enfrentamento ao racismo, sexismo, discriminação, preconceito e demais desigualdades raciais e sociais. É um dia para ampliar parcerias, dar visibilidade à luta, às ações, promoção, valorização e debate sobre a identidade da mulher negra.

Pesquisas realizadas nos últimos anos demonstram a gravidade da situação enfrentada pela mulher negra: o menor nível de escolaridade, trabalha mais, porém com rendimento mínimo, em condições precárias e de informalidade. As poucas que conseguem romper as barreiras do preconceito e da discriminação racial e ascender socialmente necessitam se empenhar mais e abdicar de outros aspectos de suas vidas.

Essa realidade, que manifesta com resquícios do período de escravidão, tem sido transformada pela luta e organização desse segmento na América Latina e no Caribe. Apesar de ainda em desvantagem, mais mulheres e mais mulheres negras estão se inserindo na universidade e no mercado de trabalho, estão conquistando espaços importantes na economia, na sociedade, na política. Essas mulheres estão lutando para transformar a realidade, superar as desigualdades e construir uma nova cultura na sociedade, de combate à opressão de gênero e ao racismo.

No Brasil o Censo 2010 indicou que a população negra e parda é a maioria no país: 50,7% de um total de 190.732.694 pessoas. A pesquisa mostrou que a desigualdade de renda continua bastante acentuada em todo o país, com ricos ganhando 42 vezes mais que pobres. Metade da população brasileira no período, vive com até R$ 375 por mês, valor inferior ao salário mínimo (na época R$ 510). Das 16,2 milhões de pessoas vivendo na pobreza extrema (cerca de 8,5% da população), com renda igual ou menor a R$ 70 por mês, 70,8% são negras, sendo, segundo o IBGE que a base da pirâmide social é, 73%de negros fundamentalmente.

As mulheres ainda recebem em média, 30% a menos que os homens para desempenhar as mesmas funções. Segundo, estatísticas como as do estudo de Síntese de Indicadores Sociais do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), realizado em 2012, em que o número de brancas trabalhando subiu para 61,8% da população, enquanto as negras aumentaram para apenas 47,3%. Apesar das mulheres negras terem aumentado nos índices de escolaridade, ainda são a maioria a ocupar os sub empregos e a receberem os piores salários. Isto se deve, na maioria das vezes, à exigência de um padrão de beleza que não é o das mulheres negras.

Muito se avançou após os governos democrático-populares de Lula e Dilma, mas a igualdade racial no mercado de trabalho ainda é uma meta distante. A média de rendimento de trabalhadores negros e pardos é de R$ 1.507,35, enquanto brancos recebem, em média, R$ 2. 596,86, diferença de 41,9%. A tabela de rendimentos mostra que no topo da pirâmide estão os homens bancos, segundo as mulheres brancas, terceiro os homens negros e quarto lugar encontram-se as mulheres negras.

Segundo as informações apresentadas pelo Mapa da Violência (2012) –que focaliza a incidência da questão racial na violência letal do Brasil, tomando como base os registros de mortalidade do Ministério da Saúde entre 2002 e 2010 – morreram 48% mais mulheres negras do que brancas tanto no conjunto da população adulta quanto jovem. O nordeste é a região com maior índice de morte, e o sul com o menor. A população negra é Sus dependente.

Continente afora, mulheres negras sofrem níveis absurdos de opressão e exploração e violência, como toda e qualquer estatística feita na América Latina e no Caribe comprova. Cientes desta realidade, precisamos travar uma luta cotidiana contra o machismo, o racismo e a exploração capitalista que se entrelaçam enquanto formas de opressão.

Marcha Nacional de Mulheres Negras 2015

A Marcha Nacional das Mulheres Negras 2015 tem por iniciativa articular as mulheres negras brasileiras, aglutinando o máximo de organizações de mulheres negras, assim como outras organizações do Movimento Negro e da Sociedade Civil que apoiem a equidade sociorracial e de gênero, protagonizando ás mulheres negras . A UBM participa da construção da Marcha em todo o país, rumo ao fortalecimento da luta das mulheres negras. É preciso dar maior visibilidade a situação de opressão secular da mulher negra, homenagear nossas ancestrais e exigir do Estado brasileiro, bem como de todos os setores da nossa sociedade, respeito e compromisso com a promoção da equidade racial e de gênero.

Durante a preparação da Marcha, serão realizados diálogos abertos, oficinas ligadas às mais diversas expressões da cultura negra de cada estado-município, com temáticas que unifiquem as necessidades locais e gerais. Geração de renda, apropriação de novas tecnologias, direitos humanos, econômicos, sociais, culturais e ambientais, plenárias de mulheres que fortaleçam e defendam a sua negritude, todas fortalecendo a Marcha Nacional das Mulheres Negras de 2015! A UBM faz parte desta luta!

#VemMarcharComAGente!

União Brasileira de Mulheres.

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