segunda-feira , Fevereiro 19 2018
Casa / MUNDO / ‘Não somos black blocs para influir no processo eleitoral’, diz Requião em visita à Venezuela

‘Não somos black blocs para influir no processo eleitoral’, diz Requião em visita à Venezuela

Senadores se encontraram com vítimas dos protestos; porta-voz do movimento lamentou que ‘direita se sensibilize com apenas um dos lados da história’

“Não somos black blocks para influir no processo eleitoral venezuelano. Nós vamos buscar informações e vamos dar poucas declarações sobre o que conversarmos aqui. As declarações serão dadas na tribuna do Senado Federal”. Desta forma, o senador Roberto Requião (PMDB-PR) contrapôs a visita da nova comitiva de parlamentares brasileiros a Caracas à realizada na semana passada, encabeçada pelos senadores Aécio Neves (PSDB-MG) e Aloysio Nunes (PSDB-SP).

Agência Efe

Senadores brasileiros assistiram vídeo apresentado pelas vítimas das guarimbas

Uma semana após senadores brasileiros, que pretendiam visitar presos políticos e conversar com a oposição ao governo do presidente Nicolás Maduro, terem retornado ao país sem conseguir deixar os arredores do aeroporto, a nova comitiva tem uma ampla agenda com a oposição e situação.

A agenda inclui conversas com as vítimas dos protestos violentos, chamados Guarimbas, encontro com as esposas dos políticos que se encontram detidos e com a oposição moderada da MUD (Mesa da Unidade Democrática) — que defende uma solução para o impasse político pela via eleitoral. Além disso, também se encontrarão com a Defensoria e o Ministério Público, com o presidente da Assembleia Nacional, Diosdado Cabello, e com a ministra de Relações Exteriores, Delcy Rodríguez. As conversas serão realizadas dentro do Congresso venezuelano, para que se evite qualquer reclamação por possível ingerência em assuntos internos do país.

A primeira agenda dos senadores que integram a comitiva – Lindbergh Farias (PR-RJ), Telmário Mota (PDT-RR) e Vanessa Grazziotin (PCdoB-AM), além de Requião – foi o encontro com as vítimas dos protestos violentos ocorridos em 2014, às 8h (10h30 no horário de Brasília). O líder opositor Leopoldo López, que se encontra detido, é acusado de ter incentivado esses protestos que provocaram a morte de 43 pessoas.

De acordo com o jornal Folha de S. Paulo, a porta-voz do movimento, Desiree Cabrera, criticou a visita dos senadores opositores. Ela lamentou que a “direita se sensibilize com apenas um dos lados da história”.

Já Yendry Velazquez, viúva do capitão da Guarda Nacional Ramzor Bracho, morto por supostos disparos de manifestantes opositores, lamentou a propagação do que chamou de “imagem não verdadeira do ocorrido”: “Meu marido recebeu um tiro pelas costas e morreu em decorrência da perda de sangue”, disse, emocionada. Ele morreu três meses depois de se casarem.

Financiada por institutos dos EUA, direita latino-americana busca conquistar jovens com nova roupagem

Revolta ‘pop’, perfis fake e ‘bots’ turbinam ascensão de grupos conservadores nas redes sociais

Após protestos, Equador considera realizar consulta popular sobre lei que taxa heranças

Agência Efe

Senadores devem retornar ao Brasil ainda nesta quinta

Os senadores acordaram com o presidente da CRE (Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional), Aloysio Nunes, a criação de uma comissão para acompanhar todo o processo eleitoral venezuelano, que será realizado em 6 de dezembro. A definição da data para as eleições parlamentares era uma das principais reivindicações da oposição e motivou a greve de fome à que López se submeteu.

Lindbergh ressaltou, durante a entrevista coletiva concedida ao chegar a Caracas, que “a pior coisa que pode acontecer para a Venezuela, o Brasil e toda a América Latina é o país entrar em uma guerra civil”, o que segundo ele esteve a ponto de ocorrer durante os protestos ocorridos no início de 2014. “Nós queremos legalidade democrática, eleições livres. Estamos aqui para conversar com todos”, ressaltou.

O senador petista também criticou o fato de o Senado não ter criado uma comissão unitária para decidir “onde ir, com quem conversar”. “Uma coisa é uma visita partidária, onde se vai manifestar preferência política”, disse, em referência à comitiva anterior. “Existem regras de diplomacia parlamentar (…). Queremos fazer um trabalho muito sério e na volta vamos apresentar os resultados ao Senado”, destacou.

“A primeira comitiva veio com um objetivo claro, de reforçar a oposição, e nós estamos aqui para ouvir todos os lados”, afirmou Vanessa Grazziotin. Ela disse, ainda, que o Senado brasileiro não tem o direito de se intrometer nos problemas internos políticos da Venezuela e que a comissão fala em nome do Parlamento brasileiro, não de uma legenda específica.

Para Motta, os senadores tucanos não tiveram os objetivos alcançados “porque voltaram do aeroporto, sem resposta para o Parlamento. A Venezuela sempre foi um país democrático e é nossa parceira no Mercosul, por isso é importante ouvir o que acontece aqui”.

Fonte: Vanessa Martina Silva | São Paulo – 25/06/2015 – Opera Mundi

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *